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sábado, 18 de junho de 2011

E a palavra vem pequena, querendo se esconder no silêncio ... ♪



"Que força é essa (...)
Que se anuncia sem pudor
Que faz o mundo se inclinar
Só pra poder te admirar?

Teu riso realçando a flor
Inebriante caminhar
A lua sobre o pobre mar
Debruça pra te admirar

Que prece é essa?
Que sonho é esse?
Que forma tão rara
Que olhar sincero

Que força é essa (...) ?!"



Palavra/ Boneca de pano  - O  Teatro Mágico

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

Déjà vu - Metamorfose II

Existem milhões de insetos almáticos.
Alguns rastejam, outros poucos correm.
A maioria prefere não se mexer.
Grandes e pequenos.
Redondos e triangulares,
de qualquer forma são todos quadrados.
Ovários, oriundos de variadas raízes radicais.
Ramificações da célula rainha.
Desprovidos de asas,
não voam nem nadam.
Possuem vida, mas não sabem.
Duvidam do corpo,
queimam seus filmes e suas floras.
Para eles, tudo é capaz de ser impossível.
Alimentam-se de nós, nossa paz e ciência.
Regurgitam assuntos e sintomas.
Avoam e bebericam sobre as fezes.
Descansam sobre a carniça,
repousam-se no lodo,
lactobacilos vomitados sonhando espermatozóides que não são.
Assim são os insetos interiores.

A futilidade encarrega se de "mais tralos'.
São inóspitos, nocivos, poluentes.
Abusam da própria miséria intelectual,
das mazelas vizinhas, do câncer e da raiva alheia.
O veneno se refugia no espelho do armário.
Antes do sono, o beijo de boa noite.
Antes da insônia, a benção.

Arriscam a partilha do tecido que nunca se dissipa.
A família.
São soníferos, chagas sem curas.
Não reproduzem, são inférteis, infiéis, "infértebrados".
Arrancam as cabeças de suas fêmeas,
Cortam os troncos,
Urinam nos rios e nas somas dos desagravos, greves e desapegos.
Esquecem-se de si.
Pontuam-se
A cria que se crie, a dona que se dane.
Os insetos interiores proliferam-se assim:
Na morte e na merda.

Seus sintomas?
Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor.
Assim são os insetos interiores.

Insetos interiores - Fernando Anitelli

sexta-feira, 13 de novembro de 2009

Metade do inteiro que eu sinto ...




" ... as penas que eu mesmo sinto de mim
Junto todas, crio asas, viro querubim
Sou da cor, do tom, sabor e som que quiser ouvir
Sou calor, clarão e escuridão que te faz dormir
Quero mais, quero a paz que me prometeu
Busquei quem sou
Você, pra mim, mostrou
Que eu não sou sozinho nesse mundo ... "

segunda-feira, 5 de outubro de 2009

Metamorfose


Não há mais nada o que se pensar e nem o que se sentir
Eu sou uma estranha pra mim mesma.

Tornei-me um monstro.

As coisas que eu fui capaz de fazer me assustam
Acabo de chutar meus princípios e engolir minhas opiniões.

Vomitei o que restava de vida em mim.

Minha indiferença com tudo é cruel, tornei-me tão fria que já não sinto diferença nos dias de sol.

Deixar de crer naquilo que julgamos certo é tornar-se errado para si ou seguir uma nova verdade?
Crer em uma nova verdade é mentir para si ou fugir do desengano?

Tornei-me um monstro. Nem eu me amo mais.
Desacreditei de mim.
Fui decepcionada e magoada por mim mesma.

E eu que confiava em mim... Sou tão humana quanto não queria ser!

"Um calor gélido e ansiado na boca do estômago.
Uma sensação de: o que é mesmo que se passa?
Um certo estado de humilhação conformada o que parece bem vindo e quisto.
É mais fácil aturar a tristeza generalizada
Que romper com as correntes de preguiça e mal dizer.
Silenciam-se no holocausto da subserviência
O organismo não se anima mais.
E assim, animais ou menos assim,
Descompromissados com o próprio rumo.
Desprovidos de caráter e coragem,
Desatentos ao próprio tesouro...caem.
Desacordam todos os dias,
não mensuram suas perdas e imposturas.
Não almejam, não alma, já não mais amor. " (Os Insetos Interiores - Fenando Anitelli)